Quando eramos Deuses - parte IV
Aswan e Abu-Simbel Aswan é provavelmente a maior cidade do Egito, depois do Cairo. Fica na região da Núbia, junto ao lago Nasser, que depois veio a ser ampliado devido à represa construída na primeira queda do Nilo. A primeira visita do dia foi ao obelisco inacabado. É o momento em que você percebe que não foram os deuses astronautas, e sim os humanos (mesmo que sendo com ajuda ou tecnologia dos deuses astronautas) que fizeram aquilo tudo ali de arquitetura. O obelisco é gigantesco, e foi interrompido seu talhar pois uma parte da rocha rachou, tornando a mesma inutilizavel. 
A represa de Aswan é uma atração à parte. Infelizmente, a visibilidade não estava perfeita, portanto não dá pra ter uma noção muito boa do tamanho pelas fotos. Mas é uma visão e tanto. 
Diversas ilhotas podem ser vistas no lago Nasser. Em uma delas, localiza-se o templo Philae, dedicado à Isis, a Grande Esposa de Osíris, matriarca de toda a dinastia faraônica pós-osiriana. Esse templo, por meio século esteve parcialmente inundado pela primeira represa, e, foi transportado, através de um projeto da Unesco, bloco a bloco, de uma ilha à outra, devido à inundação causada pela construção da segunda (e atual) represa. 

Como a maioria dos templos, este também sofreu com a intolerância religiosa. Ainda mais por ser um templo dedicado à Isis, e a figura de Horus enquanto bebê/criança é bem forte nos afrescos, os rostos de Isis e Horus aparecem danificados (e às vezes nem aparecem), mas ainda assim, existem muitos afrescos intocados: 

e, aqui entre nós, nada melhor para comprovar a presença dos Deuses, do que eles mesmos: 
Infelizmente, esse dia de visitas ficou manchado pela maior praga do Egito atualmente. A ganância. Fui levada a um local que não me interessava, uma loja de perfumes, com a proposta de "fazer uma massagem relaxante". Já escolada que tudo ali tem um preço, agradeci, disse que não queria, mas o meu guia simplesmente me deixou lá e sumiu. Enquanto isso, chazinho, massaginha, vem ver este, vem ver aquele, e no fim das contas queriam me empurrar mais de 200 doletas de óleos e potinhos de cristal. Eu dizendo que não queria, não queria, fui obrigada a ouvir um desaforo ainda, que se não quisesse não devia ter ido lá, e nada do guia voltar, eu super desconfortável, mais ainda quando ouvi que os guias ganham comissão das vendas da loja. Ou seja. Ele me deixou lá pra ser pressionada mesmo e gastar. O que me deixou realmente transtornada, a ponto de até no navio, na volta, os tripulantes ficarem preocupados comigo - eu sempre transparente - pois estava outra pessoa. Tirando esse incidente, na madrugada parti para o templo de Abu-Simbel, com meu travesseiro jogada no banco de trás do táxi. Foi o único momento da viagem em que eu senti um pouco de receio. São mais de 3 horas atravessando o deserto, de madrugada, escoltados em grupos de 5 carros ou 3 ônibus, por um jeep da polícia egípcia, com guardas fortemente armados. É nessa hora que você lembra aonde você está geograficamente e politicamente falando. Mas, todo o mal estar do dia anterior, toda a preocupação e toda ansiedade foram-se quando as luzes da cidade ficaram para trás e eu pude apreciar a escuridão do céu do deserto e as estrelas em todo seu esplendor. Lá estava ela, sobre mim, a Senhora do Céu Estrelado, o Misterio do Sol, Nut, no seu abraço à seca terra do Egito. 
Logo após uma bela volta do deus Sol à vida (leia-se o nascer do sol), chegamos à àrea onde se encontram os templos de Abu-Simbel. Também em perigo pela subida das águas de represa, foi transportado à outra posição. Detalhe. Aqui, além de serem DOIS templos GIGANTES, ainda tomaram o cuidado de manter o templo de Ramsés na posição correta para que o sol iluminasse as estátuas do faraó exatamente no mesmo dia do ano (21/2 - nascimento e 22/10 - coroação), como foi projetado inicialmente. Esse tipo de coisa me faz crer que quando o ser humano se junta para construir, é muito mais efetivo do que quando se junta para destruir. 
O segundo templo foi dedicado à Primeira Esposa Real, Nefertari, e o meu guia, talvez para se redimir da mancada da loja de perfumes, me aconselhou a visitá-lo primeiro, pois todos vão primeiro ao de Ramsés. Segui o conselho dele, e, com 5 dólares de propina (calma! propina é gorjeta em espanhol!!!!), entrei sozinha no templo, com direito a foto segurando uma chave com mais de 3.200 anos: 

Por terem sido descobertos muito recentemente em termos proporcionais, e ficarem afastados das grandes metrópoles (por exemplo, 3 horas de Aswan), esses templos são considerados os mais bem conservados do Egito, até mesmo nas partes externas, não tendo sofrido como os templos das grandes cidades. 

Retorno ao navio, certa de que realizei meu sonho. Rumo ao Cairo, para ver de perto as pirâmides (até então só tinha visto do meu quarto), e visitar o museu.
Escrito por )O( Selina )O( às 11h20
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A verdade
Sim, eu sei que eu prometi escrever mais sobre a viagem, mas ainda não tive inspiração. A tal da vida que começa aos 40 começou bem agitadinha. Odeio ver as pessoas magoadas. Agora, se as pessoas querem se magoar só porque ficam insistindo em uma mentira, o problema passa a não ser mais a minha ética. Eu acho ridículo, por exemplo, duas minas "brigando" por um cara, sendo que no fim das contas, a verdade é uma só. Ele fica com quem ele quer. Aceita quem quer, dá o fora quem não aguenta. Não adianta. Não há ereção sem tesão. Mulher até consegue fingir, mas homem não. Então, se você perdeu (o que você acha que é seu) pra outra pessoa, vai procurar sua turma, oras bolas. Isso é uma verdade. Dessas incontestáveis. Agora, ficar fazendo campana na vida do cara, tenha dó, né? Acho que a maior verdade sobre a verdade, é que ela não existe. O que é verdade pra uma pessoa, ou para um grupo de pessoas, é um absurdo para outras. O que é bom pra mim, pode não ser pra você. Você gosta de amarelo, e eu de azul. Isso não quer dizer que o azul seja mais bonito que o amarelo. Para mim é verdade que o azul é mais bonito. Para você não. Se eu digo que eu não gosto disso ou daquilo, ninguém tem o direito de dizer que eu não sei o que eu quero pra mim. A minha verdade é que eu não gosto. E tem mais. Você tem todo o direito na vida de mudar de opinião sobre a verdade. Eu amava camarão, hoje não como. Mas é verdade que eu não gosto mais de camarão? Não. Simplesmente não posso. Em resumo. A verdade é que nem bunda. Cada um tem a sua. A minha é linda.
Escrito por )O( Selina )O( às 01h38
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Balanço
Não que eu não queira fazer mais nada na vida. Mas é tão legal quando você faz um apanhado geral e vê que tudo que você PRECISAVA realizar para seu contentamento pessoal, você já realizou... Eu queria ter um filho até os 25. --> OK. Eu queria construir uma casa para ele. --> OK. Eu queria conhecer o Egito --> OK. Eu queria, ao menos uma vez na vida, amar sem usar nada do meu lado racional --> OK. Agora é só curtir o que vem por aí. É tudo lucro.
Escrito por )O( Selina )O( às 13h46
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Quando eramos Deuses - parte III
Edfu e Kom Ombo. Como eu disse anteriormente, o Egito é um grande deserto com um grande rio no meio. Durante toda a navegação de Luxor a Edfu, a paisagem é a mesma. Coqueiros à margem do rio, e deserto logo atrás. Da minha cabine: 
Passamos a tarde toda navegando, até a cidade de Esna. Nesse ponto, o rio Nilo tem um desnível, no qual foram construídas duas eclusas para fazer a passagem de nível. Durante o período de espera, dezenas de pequenas embarcações jogavam para dentro do navio roupas típicas egípcias, para a próxima noite, uma festa à fantasia, com comes regionais, que já é uma tradição nas embarcações. Inacreditável. Você estava lá sentada no deck, de repente um saquinho com uma veste caía na sua cabeça, dentro da piscina, em cima de um copo. Muitas pessoas compraram as vestes. Uma das minhas amigas argentinas não gostou muito do que viu, e fui com ela à "boutique" para experimentar algumas coisas diferentes. Como só eu falava inglês, agi como intérprete, e, com isso, ganhei a simpatia do dono da loja, que me deu alguns regalos de presente. Hoje era a noite do coquetel do Capitão. Portanto, quando caiu a noite, me vesti de verde-e-amarelo e lá fui aproveitar o suco de laranja com vodka no deck do navio. O Capitão em si não estava lá, pois estava ocupado com a travessia da eclusa. Porém, os imediatos eram muito atenciosos, principalmente comigo, que estava sozinha e era brasileira. Se não fosse pelo fato de que a última coisa que eu queria era enrosco, tinha saído de lá com 3 casamentos marcados. Difícil é manter o bom humor o tempo todo, porque a galera pega pesado nas cantadas. Mas, como eu sou uma pessoa fina, não tive problemas em me sair de todas, e aproveitar as menos incisivas para ganhar um tratamento diferenciado. Após o jantar, o programa era aguardar a travessia. Tentei dormir um pouco, mas não tinha nenhum sono, então, coloquei uma roupa mais confortável e subi novamente ao convés. Após o término, fomos para a disco, que estava tão animada quanto um velório. Tomei uma cervejinha e fui dormir. Na manhã seguinte, nosso passeio era ao templo de Horus. Já começou pitoresco, pois o transporte era feito em pequenas carroças, na qual acomodavam-se (bem íntimas, com as pernas trançadas) 4 pessoas: 
A primeira coisa que me chamou a atenção em Edfu foi o cheiro. OMG!!!! Pensa numa pessoa que acabou de tomar café da manhã e tem um estomagozinho fraco. Esta que vos escreve. Logo às 8 da manhã, um cheiro forte de cebola frita, misturado ao cheiro da parada de 7 de setembro dos cavalinhos de charrete, mais urina das ruas, mais suor de zagueiro no fim da partida em Brasília. Nem me incomodei de me acharem fresca. Catei meu lencinho umidecido (é, umidecido, daqueles de passar em bumbum de nenê - muito útil em várias ocasiões diferentes) e fiquei com ele no nariz até chegarmos ao templo. Foi então que pela segunda vez na viagem eu chorei. Teve um momento em que eu me dei conta de onde eu estava, tudo que aquilo representava para mim, a felicidade por estar ali, a tristeza de saber que muito daquilo foi destruído, porém será eterno, pois o que sobrou é mais do que o suficiente para encher de alegria uma alma. Chorei sem parar até sair do templo. Foi com certeza o momento mais emocionante de todos da viagem: 
Voltamos ao barco, e continuamos a navegação até o cair da tarde, em Kom-Ombo, aonde pudemos contemplar o templo de Sobek, o deus-crocodilo. 
Comprinhas para a festa típica, e de volta ao navio. O por-de-sol no Nilo é um espetáculo à parte. Que pouquíssimas pessoas param para contemplar, porém as poucas que ali estiveram no convés comigo compartilharam do meu queixo caído. A cor resultante da areia do deserto refletindo em tudo, e o rio verde como um mar de águas limpas (nesse ponto o rio é bem menos poluído), o silêncio respeitoso de todos ao admirar o momento. Infelizmente não é possível captar com exatidão o colorido, mas uma amostra ao menos: 
A festa foi com certeza o momento mais divertido da viagem. Após o jantar, fomos todos para a discoteca, e pudemos dar uma pequena demonstração da alegria latina regada a cerveja: 
Nós e nosso Habib (querido) Yaser - o Guia. Fui uma das últimas a sair da disco (incrível, até parecia MESMO uma disco hoje!), feliz e cansada. Não sem antes presenciar outro espetáculo. Se o sol se põe do lado ocidental, a lua nasce do outro. Mais um presente dos Deuses. 
Escrito por )O( Selina )O( às 18h53
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UMAISUM
Noite fria. Eles se encontram casualmente em um bar. Não tão casualmente, na verdade, ambos sabem da possibilidade. Ela vai ao banheiro. Encosta atrás do biombo de bambu, e observa. Seus olhares se procuram. E se encontram. Ela ri, e entra. Quando sai, vem o diálogo: - Então. O fulano te entregou o dinheiro que eu deixei com ele? - Não. Quando você deixou? - Ah, na segunda mesmo. - Fulano, vem cá! Esqueceu de me entregar alguma coisa? - Poxa, é verdade. Vem cá pegar. - Obrigada. Mais tarde ele passa perto da mesa dela. - Pode sentar. Ele senta. - Não me olha assim. - Porque não? - Porque eu fico sem graça. - Achei que tinhamos combinado de não fazer de conta que nada sentimos. - Tem razão. - Eu estava com saudades. - Eu também. - Você está feliz? - Estou mais feliz do que infeliz. - Não foi isso que eu perguntei. Perguntei se você está feliz. - E você, está? - Poderia estar mais. - Tá vendo, você também não responde. - Se você está feliz, eu estou feliz. - Eu também poderia estar mais feliz. Mas as escolhas foram feitas.
Escrito por )O( Selina )O( às 18h13
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Inferno astral?
- meus credores não me pagam - meu namorado acha normal arrumar um show pro dia da minha festa - meu locatário me tira um equipamento essencial para o trabalho no bar - meu filho perde o celular - acaba a cerveja no bar no dia de maior movimento esqueci alguma coisa?
Escrito por )O( Selina )O( às 13h30
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Pausa para reflexão
Esta não tem nada a ver com a viagem. Apesar de ser uma viagem. F namorava com M. M não falava comigo. F era meu amigo. L sempre se disse minha amiga. L2 começou a namorar com F. L se tornou amiga de F. L se tornou amiga de L2 também. L2 se tornou minha amiga também. M se tornou minha amiga também. F começou a trair L2 com M. Eu nesse momento era amiga de F, de L2 e de M. F deixou L2 para ficar com M. L cobrou de mim que eu devia ter contado para L2 a verdade. Porque se eu soubesse que alguém traía L, eu também devia contar. E se eu não conto, não sou sua amiga. L parou de falar comigo porque eu disse que não me meto em relacionamentos dos outros. E inclusive, se meu namorado me traísse, eu tb não queria saber. Quem é mais falso? Eu que me recuso a me meter no relacionamento dos outros, ou L, que virou a cara pra mim por causa de problemas dos outros?
Escrito por )O( Selina )O( às 12h47
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Quando éramos Deuses - Parte II
Luxor Quando começamos a descida para Luxor, pude constatar a imensidão e a força que tem o deserto no Egito. Chorei pela primeira vez nessa viagem, ao contemplar aquela terra tão árida que outrora foi o berço da civilização mais rica e culta da antiguidade. 
Um representante muito do mal educado nos levou até a van, e, ainda bem que ele ficou pelo caminho. Encontramos com Yaser, que não era o Arafat, e que seria nosso guia pelos passeios feitos durante o cruzeiro. Check-in no barco efetuado, almoço, e fomos nós para o templo de Karnak. 
Cada faraó que era empossado fazia questão de demonstrar sua devoção aos Deuses efetuando melhorias nos templos, além de construir novos anexos contando sua história divina, e seu local de oferendas, pois, somente a ele e ao sumo sacerdote era concedida a permissão de entrar na sala de oferendas principal de cada templo. Como cada faraó possuia seu próprio "ka" (seria como a alma, ou a essência divina), era necessário que após sua morte, apenas o sumo sacerdote entrasse na sala para oferecer sacrifícios por ele. Sendo assim, no templo de Karnak, - que, diga-se de passagem, era um dos mais, senão o mais, conceituado na época, pois, afinal de contas, era dedicado ao Criador, Amon - você encontra vários templos em um só. 
Pra você ver, nem a maquete é possível fotografar inteira... O templo de Karnak foi iniciado por volta de 2.200 A.C. e terminado por volta de 350 A.C. Até ser descoberto, em meados do século XVIII (18... rs), ficou mais de 1.000 anos encoberto pela areia. Até hoje, uma das avenidas que liga o complexo de Karnak ao templo de Luxor, está sendo escavada para restabelecer a ligação inicial entre ambos. A partir deste momento, meu amigo, prepare-se para ficar com dor no pescoço. Tudo é absolutamente monumental. Pra você ter uma idéia, para abraçar as colunas de mais de 20 metros da sala principal do templo, seriam necessárias umas 8 pessoas. E talvez mais 1 ou 2. E tudo tem mais de 20 metros de altura. Os obeliscos, as colunas, a arte no teto. Agora pensa. 1.000 anos enterrado, e ainda conserva as cores originais. Com certeza, se houvesse a certificação ISO 9000 naquela época, o templo de Karnak seria a primeira edificação à recebê-la. 
Após as explicações de praxe do guia sobre um pouco da história, tinhamos um tempo livre. Eu, como queria ir sozinha desde o princípio, marquei horário, e saí para explorar os locais aonde os turistas não vão. Isso é básico em qualquer pacote turístico. Se você vai com um pacote, saiba o que quer ver, porque se for depender do guia, vai ser uma visita de meia hora e pronto. Deixe claro que você precisa de um tempo. Depois de lá, fomos ao dito templo de Luxor. A cidade em si, na antiguidade, tinha o nome de Tebas. Esse templo também foi coberto pelas areias do deserto, tanto que havia uma mesquita (havia não. há) em cima dele. A mesquita foi preservada, mas a vila que a ladeava foi removida para dar lugar às escavações. Uma das curiosidades desse templo, é que, além da mesquita sobre ele, algumas paredes foram rebocadas e decoradas com arte copta (sacra cristã de Roma pós-conversão), além de ter elementos de arquitetura greco-romanos. 
Da série: Idiotices pelo mundo em nome da fé. Como todos os lugares por onde Ramsés II passou, lá estão suas estátuas guardando o templo, sempre retratado como um Deus em vida. Como todos os lugares por onde um brasileiro passa, lá estava a bandeira do Brasil, estilizada, em forma de canga, com a torcida desta que vos escreve. 
Eu e Rami (já estou íntima, a estas alturas) Basileiros, aliás, gostam de ser notados. Todos os guias tinham plaquinhas com o nome das agências, menos os guias de grupos puramente brasileiros. Bandeirinha do Brasil na veia. Todo mundo de lenço amarelo, broches, bandeiras, bottons, ou alguma coisa para destacar-se dos demais. E, vendo a bandeira do Brasil, sempre vinha um comentário: - Brasil? Brasil? Kaka! Kaka! Nem Messi, nem Cristiano Ronaldo. Nem Pelé nem Ronaldo. O ídolo dos Egípcios é o bom moço Kaka. E, sim, somos amados por todos. Num passeio desses, com pessoas de todos os lugares do mundo, de todas as religiões e raças, é só verem que você é do Brasil, que você é bem atendido, bem tratado, mimado, e cantada (no caso de ser mulher). Como finalmente fiz uso do meu curso de espanhol, porque meu guia e minhas companheiras de viagem só falavam espanhol, às vezes demorava para me reconhecerem como brasileira, mas quando reconheciam, era uma festa só. Minhas companheiras de viagem deram uma estressada básica porque estavam cansadas, e eu ainda fui fazer minha turnê solitária, pelo templo. Uma passada na farmácia para comprar pasta de dentes (lógico que eu tinha que esquecer alguma coisa no hotel hoje de madrugada), e retorno ao navio-hotel. Antes do jantar, subi para admirar o por-do-sol no Nilo. Silêncio total no deck e na cidade na hora das orações, e, das minaretes, os fiéis sendo chamados. Uma noite digna de aproveitar... Dormindo... 
Dia seguinte, despertar cedo, e visita à margem ocidental do Nilo. Assim como o sol nasce no Leste e se põe no Oeste, e sendo o rio a fonte da vida, todos os templos funerários no Egito se localizam à Oeste dele. O vale dos reis é algo grandioso de se olhar. Aliás, você vai ver muito essas expressões por aqui. "Grandioso", "inexplicável", "espetacular", e mais todos os adjetivos que sejam superlativos de algo. Pois é realmente assim que é. Após constatarem que os túmulos piramidais eram saqueados, os faraós procuraram um local menos paloso para enterrar seus tesouros e seu corpo mumificado. Eis que nesse local, naturalmente se faz o formato de uma pirâmide, portanto, foi o escolhido. Lá é proibido tirar fotos. Os ambulantes lhe oferecem uma dúzia de cartões por 20 libras egípcias, de baixa qualidade, e tem algumas por 30, de melhor. Olhe antes de comprar. A entrada do parque lhe dá o direito de visitar 3 tumbas. A de titio Tutu não está inclusa entre elas, e custa 100 libras (20 dólares). Só vá se você, assim como eu, sentir a necessidade de ver a múmia e arrancar o anel de atlantis que ela (não) ostenta, para dar de presente à sua amiga que lhe proporcionou o parcelamento tão necessário à essa viagem. Brincadeiras à parte, a tumba de Tutankamon além de ser pequena a àrea aberta à visitação, não possui a arte conservada das outras. Você desce, tem um platô que de um lado fica a arca funerária, muito delicadamente talhada à mão em madeira de cedro, e do outro a múmia em si. Como voltei viva, pode ver que não existe maldição nenhuma, além do preço exorbitante para entrar. Um dos únicos templos funerários que foi construído à vista, é o da rainha Hatchepsut, que se travestiu de homem (pois não era permitido à uma mulher governar sozinha até a época pós-ptolomaica) para poder exercer o poder de Faraó. Um dos templos mais bonitos que visitei. 
Só a estátua de Horus é maior que eu (tá, eu sei que não precisa muito) 
A rainha barbada. E guerreira. 
Aliás, este podia fotografar. Interior da câmara mortuária. Hora de voltar ao navio para prosseguir viagem. No caminho, uma passada pelos colossos de Memnom: 
Certas coisas no mundo são tão grandiosas, que mesmo quem vive lá o tempo todo ainda se admira. Programinha de turista. Em Luxor, existem dezenas de lojinhas de artefatos de pedra. Estátuas de turquesa, vasos de alabastro, imagens esculpidas em arenito, e afins. Como nada lá tem preço, você tem que pechinchar. Leva-se mais tempo nisso do que efetuando as compras em si. Meus "regalos" sairam a princípio por 400 dólares. Pechincha vai, pechincha vem, saiu por 100. A merda foi que a maquininha deles não estava funcionando, levei a mercadoria (com o aval do guia, obviamente) para pagar assim que conseguisse retirar dinheiro. Como já havia retirado tudo que podia no cartão, e só fui me dar conta disso anos-luz depois, pois meu cartão funcionava normalmente para compras mas não para saque, acabei devolvendo as peças. Uma pena. Hora de navegar. Em breve, volto com mais um capítulo.
Escrito por )O( Selina )O( às 08h40
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Quando éramos Deuses - Parte I
Sobre a viagem ao Egito O que essa viagem significava para mim? Acho que a explicação mais simples é: TUDO. Tenho alma velha. Tenho saudades de como era o mundo há 4.000 anos atrás. Tudo que tem mais de 3.500 anos me encanta de uma tal maneira que só sendo eu pra entender. O Egito era minha Disney aos 8 anos, meu caminho de Santiago aos 18, o meu sonho mais distante aos 28, e, finalmente aos 38, começou a se desenhar possível. Nunca foi um destino meramente turístico para mim. Eu queria estar lá para sentir o deserto, a brisa do Nilo, tocar nas paredes dos templos, venerar a Deusa Isis. Quando dentro de uma das vertentes do paganismo que eu estudei, recebi como tarefa compreender e estudar a Deusa Nut, comecei a pesquisar além da história, a cultura egípcia antiga. Isso me fez ficar ainda mais fascinada pela sua estrutura. Portanto, eu tinha muitos motivos para preocupar-me com cada detalhe desta viagem. Desde certificar-me de que eu veria os principais locais, até quais remédios levar. Espero que seja útil e prazeiroso a todos. Para não interromper a narrativa, vou postar links para as dicas, que organizarei posteriormente. - DICA - Arrumando as malas (em construção) Minha amiga, mentora e realizadora da viagem, a Marcinha, não acreditou que eu estava levando tão pouca coisa. Pois usei pouco mais da metade. A VIAGEM Cheguei ao aeroporto dentro do horário previsto, com a Marcia e o Ronaldo. De tanto perder vôo (por exemplo, uma vez fui pro aeroporto, indo pra Buenos Aires, e esqueci a mala em casa!!!!), acabei entrando para o embarque sem perguntar se tinha "La Selva" - a livraria - lá dentro. Não tinha e eu fiquei sem uma revistinha para ler. Me fez muita falta. O vôo saiu e chegou na hora prevista. Fui de Alitalia. A outra opção viável é Iberia, mas você vai passar mais tempo em trânsito. Digamos que o atendimento da Alitalia não é lá uma TAM. Pra falar a verdade, não chega nem perto. Mas, o vôo foi tranquilo, e a aterrisagem mereceu palmas dos turistas brasileiros (eu não, porque eu não gosto de ser animada... rsrsrsrs) Viaje confortável. São 11 horas de Guarulhos a Roma. Nada que aperte, e, principalmente, sapatos que você possa tirar. Tive como companheiras de assento duas portuguesinhas muito das animadas, indo para a Grécia, que, viúvas, resolveram passar o tempo viajando. Um dia eu chego lá. ;-) O aeroporto de Roma é muito bem organizado. Mas, entenda que o inglês é bem necessário para se virar em qualquer lugar. Não adianta "italianar" o português como fazemos com o espanhol, porque lá não vai colar. O fuso da Itália é de 5 horas a mais e o do Egito, 6. Cheguei em Roma na hora que me deu sono (as 7 da manhã de lá). Como meu vôo era só as 11:30, a saída foi passear pelo aeroporto pra não dormir. Hora do embarque, tudo ok, e lá vamos nós. CAIRO O Cairo é vermelho. Esqueça a areia branquinha. Quando você se aproxima da cidade, a inversão térmica característica das metrópoles não é cinza. É vermelho-terra-do-Paraná. Parecia que estavamos passando sobre o mar vermelho - que eu nem sei se é vermelho mesmo, mas, se for, deve ser por causa do vermelhão do deserto egípcio. Curva para aterrisar, e lá estão elas, perfeitamente alinhadas com a constelação de Orion, majestosas, o que está em baixo como o que está em cima, 4.500 anos de imponência no deserto vermelho do Egito. 
- Pena que me pegou de surpresa, não consegui fotografar as 3 - DICA - VISTO (em construção)
O representante da agência no Cairo já estava me esperando. Asaad. Um fofo. Tudo bem que cheguei com status de irmã da representante da agência no Brasil, mas fui muito bem tratada, de qualquer maneira.
Ô cidadezinha barulhenta essa, viu. O povo de lá buzina o tempo todo, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, com ou sem engarrafamento. Conseguiram ganhar dos taxistas de Belo Horizonte.
Quando eu cheguei no quarto do hotel, a primeira coisa que eu pensei foi "Marcia, pode passar mais 40 anos sem me dar presente de aniversário!". Hotel cheio, os caras me colocaram numa suíte que deve ser do tamanho da minha casa. E um detalhe. Com vista para as pirâmides.
O Cairo é uma cidade grande. 22 milhões de habitantes. As casas, em sua maioria, não são pintadas. Mas, afora a pobreza, é necessário ressaltar que acho que não adiantaria pintar. O deserto iria tingir tudo de cor de tijolo, de qualquer maneira.
A cidade do Cairo é conhecida como "A cidade dos 1.000 minaretes". Minarete, para quem não sabe, é a torre das mesquitas, daonde se chamam os fiéis para rezar. Mas acho que 1.000 é pouco. É praticamente impossível contar quantas torres há em um simples quilometro.
Dormi feliz e cansada, para acordar as 3 da manhã e partir para Luxor de avião. No caminho passamos para pegar as argentinas que seriam minhas companheiras por quase todo o resto da viagem.
Escrito por )O( Selina )O( às 13h22
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Quando Éramos Deuses - Introdução
O Egito é um grande deserto com um grande rio no meio. Mas acredite, não estou falando isso de maneira pejorativa. A questão é que para entender o Egito, é necessário entender isso. Tudo que a civilização foi ou é lá, é o reflexo desse contraste. Da secura, da pobreza, da falta de cultura, do silêncio, da fertilidade, da abundância, da grandeza, das centenas de estudiosos, do barulho da metrópole. E quando eu digo "grande", esqueça qualquer comparação com qualquer coisa que você conheça. O Egito é único. É soberbo. É emocionante. Mas não é para qualquer um. A cultura natal do Egito se perdeu com o tempo. Porta de passagem de/para a África e seu ouro e pedras preciosas, para a Ásia, para o Mediterrâneo, rica em água no meio de todo aquele deserto, era cobiçada por todos. Por isso vieram os persas, que foram chutados de lá por Alexandre, o Grandão, que por sua vez morreu e teve seu governo assumido por Ptolomeu, que manteve sua dinastia por algumas dezenas de anos, e as Cleópatras, que por fim se findaram com Cleópatra VII, que perdeu a guerra e o império para Roma, que por sua vez perdeu para os árabes. Ou seja. Nessa salada toda, outras culturas (e a areia) foram enterrando a egípcia da gema cada vez mais fundo nos séculos (e na areia). Hoje o Egito é um país 100% árabe, 95% pobre, 85% muçulmano e 200% inesquecível. A história dessa viagem estará dividida em partes para facilitar para mim e para vocês. Bem vindos ao mundo dos Deuses.
Escrito por )O( Selina )O( às 09h58
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Algumas coisas permanecem...
Permanece o cheiro de chuva após a tempestade Permanece o perfume na rosa mesmo depois de colhida Permanece a coragem quando falta a certeza Permanece o amor quando acaba a guerra Permanece o Outono quando acaba o verão
Escrito por )O( Selina )O( às 11h04
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Chego do RJ, volto pra SP pra cumprir a promessa que fiz pro Gu de irmos assistir "Avatar" no IMAX. Chegamos lá, já avisada de que os ingressos se esgotavam rapidamente, fui comprar para o domingo antecipadamente. Já não tinha mais. OK então, quando vamos? Vamos na quinta, correntista Itaú tem desconto, e tal. Compramos os ingressos, e lá fomos nós ontem. Um amigo do Gu foi de ônibus pra casa do meu namorado, e eu me dirigi à Mooca para pegá-los. Como o Gu também tem cartão do Itaú, compramos as 2 inteiras com o meu e o dele, e tinha que apresentar na bilheteria. Chegando quase lá, pergunto: "Gu, você trouxe seu documento e seu cartão, né?" - Ele: "PUUUUUUUUUUTZ!" Já sabem o que significa essa interjeição, não? Mas... de repente, como ele disse, teve uma epifania... "AAAAAAAAAAAH, mãe! Tá na minha mochila!!!! Estava amassando no meu bolso, eu tirei e guardei!!!". Ufa. Menos mal. Mas... quinta-feira é dia do rodízio municipal de veículos, placas final 7 (ha! meu carro!) e 8. Quando me lembrei disso? Quando vi um guardinha da CET multando alguns carros que passavam pela Radial Leste. Aonde, obviamente, eu estava. Torcendo para passar invisível entre os carros, continuei o caminho. Até porque voltar seria inviável de onde eu estava, tinha que passar pelos guardas de novo. Chego lá, o amigo do Gu contando a parte dele da história. A cobradora do ônibus não avisou aonde descer, ele perdeu o ponto, se perdeu, desceu, e não achava a rua. Pergunta daqui, pergunta dali, o rapaz da padaria diz "Olha, vai ali naquele buteco, os caras estão meio breacos, mas conhecem a região". Sim, muito animador. Mas era verdade. Eles sabiam mesmo, e para voltar ele teve que pegar outro ônibus. Demorou, mas chegou. Vamos pro cinema. No caminho, fiz uma coisa que NUNCA fiz. Passar sinal vermelho. Depois de uma ligeira xingadinha por parte de um pedestre, e já contabilizando a segunda idiotice viária do dia, chegamos no cinema. Legal, entramos, tela gigante, começam os trailers, parece que você está dentro do filme, etc, e tal. De repente, começo a sentir minha vista direita embaçada. Estava com meus óculos de grau, tirei o estereoscópio, tirei os óculos, continuou embaçado. Limpei as lentes 3D, coloco de novo, embaçado. Começo a perceber as pessoas ao meu redor com a mesma reação. Tira daqui, coloca dali, burburinho no cinema. Olho pra trás, só 1 projetor funcionando. Levantei, eu e mais umas 2 ou 3 pessoas, fomos informar aos funcionários do cinema o problema. Vai daqui, para o filme ali. Vem a primeira informação: "Devido ao mau tempo, tivemos problemas com o projetor. Pedimos alguns minutos para tentar reparar o problema" Como assim??? Devido ao mau tempo???? Por acaso a transmissão é via SKY? Ou entrou água no projetor, da goteira da sala de exibição? Nessas conjecturas entre nós e os vizinhos de cadeira, passaram-se "alguns minutos" e nada de voltar. Chega a próxima informação: "O projetor não pode ser reparado no momento, portanto solicitamos que quem quiser revalidar pra próxima quinta, revalide, quem quiser trocar, troque, quem quiser reembolso, reembolsado será". Eita. Vamos lá pra fila trocar os ingressos. Domingo, lógico. Não tem. Quando então? Bom. Tem café da manhã terça bem cedinho. Vamos vir na segunda, que já durmo em Sampa, não tem perigo de eu me atrasar. Chego em casa, e-mail do Pinho. Café não. Jantar. Quando? Lógico. Segunda.
Escrito por )O( Selina )O( às 09h55
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Estava eu com o ar quente ligado domingo à noite, e sentimos um cheiro estranho. Gustavo: Mãe, esse ar é uma porcaria, sempre tem um cheiro ruim vindo daí. Eu: Olha, filho, esse cheiro tá muito forte. Deve ter caído algum resto de comida no carro, vamos procurar. Abrimos tudo e não achamos nada. Dia seguinte, sinto um cheiro horrível na garagem. Pensei "ah, essas gatas. Mataram outro passarinho. Preciso procurar depois aonde está o resto dele" Fui pra HPS. Na hora do almoço, o mesmo cheiro horrível. Comentei com o cara da Intec: - Engraçado. Preciso levar esse carro pra ver o que acontece. Não é normal esse cheiro Ele: Olha, parece que tem algum bicho morto Eu: Pois é, pensei nisso. Vou levar no posto, talvez um dos bichos que minhas gatas tentaram matar se escondeu no carro. Paro no posto. Tinha um gato do tamanho de um cachorro dentro do meu motor. Morto. Mortinho. Duro. Virei atração do posto de gasolina. Tirar o bicho lá de dentro que é bom, ninguém quis. Até um cara tentou, mas o gato era tão grande que não saía pela parte de cima do motor. Me aconselharam a ir num mecânico pra retirar o protetor de carter e o gato. 7 da noite, nada de mecânico na roça. Liguei pro seguro: - Então. Entrou um gato no motor do meu carro Seguro: Como, senhora? Eu: Um gato. Tá morto. Não consigo tirar. Dá pra mandar um mecânico? O cara do posto foi tentar tirar, soltou o rabo do gato e agora ele tá solto no meu motor. Pode danificar o carro. Seguro: Um momentinho senhora (provavelmente pra dar risada). Senhora. Estava verificando aqui os procedimentos nesse caso (EXISTEM PROCEDIMENTOS!!!!!!!) e nesse caso, como o carro não está danificado, não posso mandar um mecânico. Posso enviar um guincho para que leve o carro para um mecânico de sua preferência. Eu: Mas moço, eu preciso do carro pra amanhã de manhã. Tenho que trabalhar. Seguro: Então, senhora, mas infelizmente não tem oficina de atendimento emergencial conveniada a nós 24 horas na sua região. Eu: Mas vou deixar o gato fedendo aqui até amanhã? Vai piorar. Seguro: Posso mandar o reboque deixar o carro na central e levar pro mecânico amanhã Eu: Mas eu preciso do carro pra amanhã!!!! Seguro: Não posso fazer nada além disso pela senhora. Eu: ok, vou tentar dar outro jeito. Parei em um posto com elevador de carros. Moço. Pode me ajudar? (toda simpática) Moço: Lógico, se eu puder Eu: Tem um gato morto no meu carro, preciso tentar tirar. Moço: Moça, sinto muito, mas não podemos fazer isso aqui. Ok. Obrigada. Parei em outro posto. A mesma história. Só que essa ainda veio com um comentário do frentista: - Sabe o que é, moça? Eu uma vez vi uma mulher pegando fogo na estrada. E fiquei traumatizado. Mas o pior não foi isso. O pior foi que o marido dela tentou se jogar no rio pra não pegar fogo e morreu, e eu tive que ajudar a tirar o corpo, e aí aquela pele queimada toda saindo na minha mão, não vou ter coragem de mexer com esse bicho (!!!). Não guentei. Comecei a rir e fui embora. Quarto posto. Coloquei o carro no elevador e falei "sobe por favor? Preciso tentar tirar um negócio daí" O cara subiu, quando viu o gato saiu correndo. Apavorado. "moça, como vc vai tirar isso daí? Tá fedendo" Eu: eu sei que tá fedendo, por isso que preciso tirar. Moço: mas vc atropelou o gato? Eu: Não, moço, ele tá inteiro. Moço: Mas como ele morreu? Eu: Se eu soubesse tinha tirado na hora, né, moço Aí chega o meu salvador. Olhou, olhou, falou "deixa que eu tiro". Finalmente o gato saiu do motor. E pra pegar aquilo colocar no saco de lixo? Ninguém conseguia chegar perto, o gato era grande, não entrava no saco de lixo... Aí fui eu tentar jogar, o cara acho q ficou com vergonha e foi lá e finalmente ensacou o bicho. Isso tudo numa segunda feira.
Escrito por )O( Selina )O( às 09h53
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vinte e dois
22 de março
22 anos
1 ano, 1 mês e 22 dias
Sobrevivo à escuridão que toma conta de tudo Pensamentos voam, atravessam mares, fogem ao meu controle Penso que mais um dia vinte e dois vai acabar Ou será que sou eu que vou?
Fujo pra dentro de mim O chão do banheiro parece tão aconchegante Não quero sair, não quero abrir a porta, não quero abrir nunca mais a porta Principalmente a porta do meu coração
Mas o que faço com esse coração, teimoso, que quer amar? Mando calar-se Finjo que passou Visto o sorriso e volto ao palco Tenho pessoas esperando por mim A noite já não é tão triste apesar das lágrimas que correm sem pudores por detrás dos meus óculos escuros Deito em um colo. Outro. Nada vai curar essa dor. Nem mesmo um novo amor.
Escrito por )O( Selina )O( às 16h31
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Escrito por )O( Selina )O( às 14h06
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